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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Primavera e eleições no mês das crianças

A política municipal, na corrida pelos cargos eletivos deste ano, tem nos dado alguns exemplos de  coisas divertidas, outras um tanto muito sérias.

Um dos candidatos a prefeito em Campos do Jordão promete tirar a sede do Executivo municipal do topo do Morro do Elefante e instalar, lá, uma pista de esqui.

Já vi esse filme antes, ou melhor, parte desse filme. Houve, até, cadastramento de candidatos a emprego em Pindamonhangaba. Promessa de um certo diretor da prefeitura. O sonho de um bom emprego derreteu-se na neve do nada feito...

Uma coisa séria: tem candidato gastando rios de dinheiro, para se promover. Fundamenta seu discurso na melhor formação de mão de obra. Aliás, só sabe dizer isso, pois segue uma cartilha nacional de treinamento profissional, o que não o habilita ser administrador municipal em Pinda.

Na contramão da história, um candidato com verba mínima tem conquistado grande fatia de admiradores, pelo seu modo direto de tratar os assuntos de seu plano de governo. Aliás, tem mesmo que ser direto, pois seu tempo é, também, incrivelmente mínimo no rádio e na tevê.

Em Campos do Jordão, num debate ao qual assisti, um dos candidatos foi indagado se teria condições de administrar uma cidade já que era nordestino e a cidade dispunha de outros filhos naturais.

O candidato questionado teceu elogios rasgados ao petista que chegou a presidente da república, gastou seu tempo de resposta e promoveu o candidato do PT, visto que seu partido era outro...

Os especuladores políticos estão a pleno vapor, disseminando tititis por aí, tentando manipular a opinião pública em benefício deste ou daquele candidato. Acontece que o povão já está muito mais esclarecido do que há quatro anos.

Isso é fácil de se notar quando dedicamos um pouco mais de atenção nas entrelinhas dos comentários que pululam por aí, nas redes sociais, nas conversas de beira de balcão no Pirpoul, no Chacrinha, nas mesas do Chopão e do Gramado. Também no Pit Stop do Arizinho Galvão.

Uma central de informações, recentemente desativada, mexe com a saudade particular dos especialistas em qualquer assunto. Trata-se da Casa Rabello, trazida ao chão pelas mãos de exímios demolidores...

Interessante é podermos notar como brotam do chão os que buscam votos e mais votos trazendo, na ponta da língua, todas as soluções pela falta das quais padecem as cidades.

Tanto os prefeituráveis como os candidatos a ocupar uma cadeira da edilidade são capazes, até 07 de outubro, das mais espetaculares mega façanhas para "salvação da lavoura". Depois, como numa bem desenvolvida programação cibernética, deletam até as vírgulas dos discursos e a memória RAM deles é omissa qualquer tipo de resposta.

Como as eleições acontecem no mês das crianças, esperemos que os candidatos entendam a necessidade de melhor respeitarem esses nossos pequenos herdeiros e lhes proporcionem momentos lúdicos maravilhosos e condições excelentes de ganharem a vida adulta como mais qualidade, respeito e dignidade.

Mesmo porque, em se tratando de bons motivos e conceitos corretos de como promover a diversão, destaco aqui um exemplo da banda Pato Fu e aproveito para homenagear a estação das Flores.

É clicar, ver e ouvir e, depois, ficar em pé para aplaudir:


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Daqui a pouco é Primavera

De repente, setembro já está se esvaziando de tempo disponível, permitindo outubro se insinuar pelas páginas das agendas ou dobras de calendários...

Ano de política, em nossa cidade tudo pode acontecer...

Vejam só: num dia desses eu caminhava pela calçada, imediações do Sindicato dos Metalúrgicos, quando dei de cara com um cara mascarado, oculto sob o bico de um suposto galináceo...

Nas mãos, o mesmo cidadão carregava um daqueles frangos de plástico, utilizado não sei para quê...

Descobri que o indivíduo fazia seu marketing pessoal, como candidato a vereador...

Outro tanto de candidatos se esbaldam de propagar suas mais incríveis qualidades, como salvadores da Pátria Amada...

Todos, sem tirar nem por, têm a solução ideal e viável para Saúde, Segurança Pública, Emprego, Moradia, Transporte, Educação...

Os prefeituráveis também se apresentam com propostas de Melhor Qualidade de vida.

Um destes aí, servindo-se de bengala patrocinada por instituição nacional, apregoa ser a melhor solução.

Tem, até, apoio de equipe de fotógrafos, sendo que flagrei um desses verdadeiros "paparazzi" tentando se esconder atrás de um carro, após disparar (ou tentar disparar) seu clique focado em conhecida pessoa pública...
Vejam que coisa mais ridícula...

Pois é... O rapaz é excelente profissional, esforçado, mas creio estar sob o comando de um suposto bem sucedido patrão. Acontece que esse patrão, bem, deixa pra lá...

Afinal, conforme diz o adágio popular, "quem muito se esconde, acaba aparecendo da maneira que não quer".

Mas, em se tratando de setembro, prelúdio da Primavera, esperemos que as flores encharquem os olhos de quem precisa ver a vida mais colorida e feliz...

Sejam, as flores da Primavera, de podermos comemorar os bons momentos e não, apenas, frias homenagens póstumas...

Enquanto não passar o tempo de teclar "Confirma" na urna eletrônica, oremos pelo bem de todas as pessoas e que Oxalá ilumine aqueles que despejam promessas pelos carros de som, programas de rádio e televisão, panfletos, faixas, santinhos...

Muitos, na verdade, de santinhos nada têm...

Por isso, crer nas promessas é acatar a falsa ideologia?

Feliz Primavera!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Repensar a Independência preciso é

Daí, o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilhou no céu da Pátria, intensamente.
Meditei por alguns segundos pela graça de estarmos respirando em mais um 7 de setembro, tomei o café da manhã, beijei minha mulher e fui para o trabalho.

No obelisco dedicado à Independência, flores esperavam pelas autoridades, as quais iniciariam a celebração de mais um aniversário do grito de Pedro I.

Hasteadas as bandeiras, ao som do hino pátrio, executado pela Euterpe, uma das bandas mais antigas do país, ouviu-se, em seguida, o Hino à Bandeira.

Quando todos esperavam pelo Hino de Pindamonhangaba, a banda arriou os instrumentos, fechou os álbuns de partituras e se mandou para a avenida, onde haveria o desfile cívico.

Durante o desfile, comecei a mergulhar meu pensamento pelas dobras do passado, rebuscando históricos momentos de meus tempos de estudante no Instituto de Educação João Gomes de Araújo.

Geralmente o pelotão da minha turma noturna era o último a desfilar e o fazíamos garbosamente, vestindo calças pretas, camisas sociais brancas, gravatas pretas e brilhantes sapatos pretos, muitos deles emprestados de quem tinha grana para comprar os vulcabrás da época.

Foi quando, tomado de saudosa emoção, recordei os magníficos DESFILES CÍVICOS DE SETE DE SETEMBRO.

Bandas marciais bem ensaiadas, fanfarras motivadas, estudantes uniformizados.

Sei lá por qual motivo, mas sei que um par de lágrimas encharcou-me os olhos, enquanto alguns poucos estudantes sofriam pelo sol da manhã festiva e se arrastavam para os poucos aplausos do minguado conteúdo instalado no palanque oficial.

Mesmo assim, o povo lá estava, firme e forte, regateando aplausos mas disparando câmeras digitais, celulares e alguns gritinhos do tipo "alá ela lá!", para mostrar alguma pessoa conhecida dentro do pelotinho (não era pelotão, como antigamente).

Bateu saudade, mesmo, de verdade.

Então elevei meu pensamento a nosso Pai Oxalá e implorei por bênçãos maravilhosamente efusivas e - até - em quantidades extras para nosso Brasil.

Já passou da hora essa tal corrupção, em todos os segmentos. É dinheiro escorrendo "pelo ladrão", como já dizia algum crítico.

A saúde está morrendo na UTI dos hospitais, que mais parecem sala de espera para o necrotério.

A marginalidade escancara sua cara de pau e ofende a Ordem pública às claras. Antes, era aquela coisa de "na surdina", no escurinho das madrugas...

O tráfico trafega a olhos plenos, crianças se viciam, mães se desesperam, pais "pedem a conta" da família e botam o pé na estrada, em busca de trabalho novo para o velho sonho de felicidade.

A violência bate nas mulheres, domesticamente, sob o olhar aprovador do Medo ou da assustadora Ameaça que cala a boca das ofendidas e agredidas.

Muitos meninos já deixaram de sonhar em ser craque de futebol e têm sua vida atravessada pelo maldito crack, lixo dos entorpecentes e porta imediata para a miséria humana.

Enquanto isso acontece, na praça do poder maior, que é a cidadania brasileira, dona do poder do voto, muitos safados engravatados se esbaldam de viajar, comer do bom e do melhor, usurpando os direitos de um povo livre, como Saúde, Educação, Trabalho, Moradia, Segurança, Acessibilidade, Qualidade de Vida Melhor, Ir e Vir sem sofrer atrasos ou embargos.

O toque da corneta do soldado desconhecido (pelo menos para mim era...) trouxe-me à realidade, avisando que a tropa militar começaria seu desfile.

Brava gente brasileira, demonstrando disciplina, organização e ordem, respeito e técnica, passou em continência aos seus comandantes, que estavam no palanque oficial, deixando na cabeça da gente um pouco do que era até certo ponto romântico na nossa juventude: a admiração do povo pelo Exército Brasileiro.

Terminado o desfile, cada um para o seu canto, enquanto o Brasil parecia voltar à normalidade, na sua normal idade de 190 anos de Independência, um tanto quanto dependente - ainda - da boa vontade, melhor ética e respeito pela coisa pública por parte de muitos que se julgam capazes de participar da vida política do país.

Sete de outubro, um mês depois do sete de setembro, é tempo de apertar botões e confirmar nossa intenção de vida com qualidade.

Pelas quebradas de todos os cantos da cidade, ouvem-se cantos gravados de marchinhas mandando o povo apertar isso mais isso para resultar naquilo...

Permita Oxalá que naquilo que pensam os candidatos seja, efetivamente, a real possibilidade de curar as mazelas da população extremamente sofrida ao extremo.

Do contrário, a jovem de quase duzentos anos de história, nossa Indenpendência, será, mais uma vez, apenas motivo de outro desfile cívico...