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sábado, 24 de dezembro de 2011

TRES HISTÓRIAS DE NATAL

PRIMEIRA:
MEU AMIGO WILSON costumava amedrontar, para obter obediência do filho Vitor, com a possibilidade de o mesmo ser levado embora de casa “pelo homem do saco”.

O GAROTINHO, de seus seis anos de idade, contrariado obedecia ao que lhe era dito.

A MODA DO HOMEM DO SACO “pegou” e o menino obedecia maravilhosamente bem, apesar de contrariado.

PARA FAZER MÉDIA COM O GAROTO, Wilson contratou Moacir, um sujeito enorme que se vestia de Papai Noel e fazia entrega de presentes nas casas onde as famílias o contratavam.

QUASE DEZ DA NOITE, dia 24 de Dezembro, três batidas na porta da frente. Wilson pede para Vitor atender. “Não é o homem do saco, papai?”. O pai respondeu que não, que poderia ser alguém da família.

VITOR OBEDECEU ao pedido do pai e correu para atender quem batia à porta.

DEU UM BAITA GRITO, ficou mais branco do que era e só teve tempo de dizer: “O Homem do Saco!”. Caiu sentado, estupefato, em pânico.

PAPAI NOEL nada entendeu, papai Wilson ficou mais assustado. Havia se esquecido de que o homem do saco, de presentes, viria até sua casa...

SEGUNDA:
PAPAI NOEL ANDAVA MEIO DISTRAÍDO. Parou seu Fiat Uno Trenó ao lado do posto de combustíveis e pediu para usar o mictório.

DEPOIS DE PLENAMENTE ALIVIADO, lavou as mãos (como recomendava o cartaz acima do espelho da pia) e deixou o sanitário.

TOMOU ASSENTO NUMA das mesas da conveniência e iniciou um lero na cabeça de uma das garotas que estavam próximas.

AS CHAVES DO CARRO estavam no contato e alguém menos honesto pegou carona na possibilidade e grampeou o trenó automotivo.

QUANDO NOEL LERDO se deu conta, eram passados 30 minutos de sua permanência breve no local. Procurou o carro e nada. “Saco! Meu carro! Meu saco! ‘Tá cheio de brinquedos!”...

A GALERA DAS OUTRAS MESAS começou a dar risadas, enquanto o homem de vermelho, branco e preto se estrebuchava de chorar e praguejar, dando murros na mesinha. Uma garota aproveitou-se para ainda “tirar uma” na cara do falso velhinho. “Tanto papo furado para dizer que tem um saco de brinquedo”...

TERCEIRA:
AS LOJAS DA 25 DE MARÇO, EM SÃO PAULO, começavam a cerrar suas portas. Uma mulher sai de uma delas, com um bebe no colo, chamando por “João”...

JOÃO EMERGE DE UMA PILHA DE CAIXAS DE PAPELÃO, no outro lado da rua, alcança a mãe e esta lhe entrega um pedaço de pastel, sem recheio, que havia ganhado de uma jovem que passava pela calçada.

JOÃO MENINO abocanhou o pastel vazio, lambeu os beiços e os dedos. Feliz, no dia de Natal, mesmo sabendo que as latinhas de refrigerantes que estavam na sua sacola só estavam vazias, amassadas.

PARA ELE E A MÃE já era mais um Natal que se passava na rotina daqueles que não podem rechear seus sonhos com o alimento da esperança. Simplesmente por serem valorizados, pelos demais seres humanos, como párias da sociedade de consumo.

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